bengala para pessoas com deficiência visual

A BENGALA

 

Também conhecida como apoio e auxílio, a bengala foi projetada para oferecer suporte físico, estabilidade e locomoção de forma independente para pessoas com deficiência visual. 

Muitos videntes acreditam que apenas indivíduos completamente cegos as usam, entretanto, aqueles com baixa visão também o fazem.

Essa ferramenta, muitas vezes indispensável, é como uma “extensão” do braço para alcançar coisas no chão, à frente e também ajuda a encontrar obstruções e contorná-las com segurança. Ela é especialmente benéfica em ambientes desconhecidos, incluindo grandes cidades, praia ou até mesmo uma encosta de montanha rochosa.

Embora seja versátil, apenas cerca de 2% a 8% dos deficientes visuais usam bengalas. O restante depende de outras pessoas, cães-guia ou sua visão utilizável.

 

DE ONDE VEIO?  

A bengala tem uma longa história como auxiliar de mobilidade e existem em várias descrições: os cegos usavam os cajados, bastões ou varas para alertá-los sobre os obstáculos em seu caminho. Durante séculos, a "bengala" foi usada apenas como auxílio de viagem e somente após a Primeira Guerra Mundial é que ela foi introduzida no cotidiano.

Em 1921, o fotógrafo inglês James Biggs ficou cego como resultado de um acidente. Como ele estava se sentindo desconfortável com a quantidade de tráfego ao redor de sua casa, ele pintou sua bengala de branco para ficar mais facilmente visível.  

Já em 1930, George Benham, presidente do Lion's Club do Estado de Illinois, Estados Unidos, certo dia viu um homem cego tentando atravessar uma rua, a bengala que ele usava era da cor preta e os motoristas não podiam vê-la, então Benham propôs pintá-la de branco com uma faixa vermelha para torná-la mais perceptível.

Anos mais tarde, especialistas em reabilitação de veteranos da Segunda Guerra Mundial aprimoraram essa ferramenta - que originalmente era feita de madeira — para alumínio, um material mais leve. 

Como podemos perceber, o item não foi criado por uma só pessoa. Foi um processo de evolução de ideias de acordo com a necessidade de cada período histórico.

 

COMPOSIÇÃO

Atualmente as bengalas são confeccionadas em alumínio de polietileno (resina termoplástica) ou plástico reforçado com fibra de vidro. Possuem corpo de aproximadamente 12 mm de diâmetro.

Todas são compostas basicamente em 3 partes:  

  • Cabo: geralmente feito de borracha, fica na parte superior, no local que o usuário segura. Os modelos mais recentes possuem alça: um cordão reforçado de elástico ou borracha, para segurar e manusear;

  • Haste: Parte central e alongada da bengala;

  • Ponteira: Situada na extremidade, é uma borda de plástico que já vem encaixada na ponta da bengala.

 

TIPOS DE PONTEIRAS

A ponteira é a parte mais importante da bengala porque faz o contato com a superfície na caminhada. Atualmente existem vários tipos, são antiderrapantes e a maioria são de plástico ou borracha dura, mas existem algumas opções de feedback auditivo como metal ou cerâmica (em formato de um pequeno sino) porque eles fazem um som muito mais perceptível quando usados. Em alguns casos as ponteiras desgastam facilmente, sendo necessária sua troca a cada 3 meses.

Saiba quais são os modelos e aqui, para cada dica, destacamos os prós e contras.

Ponteira fixa (estática): Geralmente se caracteriza como ponta reta, tubular, não deslizante e são usadas para tocar a área à frente da pessoa, que normalmente a baterá de um lado para o outro. 

Pró: Por ser leve, é ideal para pessoas que têm problemas para mover o pulso por longos períodos de tempo, para fornecer feedback tátil e identificar obstáculos e é mais adequada para ambientes planos e lisos. Ela supostamente também fornece um bom retorno de áudio. 

 

Contra: Tem uma ponta que agarra no chão e pode facilmente ser presa nas rachaduras das calçadas.

ponteira fixa

Ponteira roller (rolante ou giratórias): Uma das mais comuns, tem um rolamento de esferas muito leve, pode girar 360 graus de um lado para o outro e ela rola suavemente pelo chão. 

Pró: É muito fácil para um iniciante e também muito versátil quando se desliza na superfície áspera, irregular ou com rachaduras, evitando ficar presa.

Contra: É mais pesada podendo aumentar a fadiga do pulso e pode não fornecer resultados sobre pequenas mudanças no terreno.

ponteira roller

Ponteira cogumelo (ou marshmallow): ela tem o formato de um cogumelo, mas invertido, portanto tem um tamanho ligeiramente volumoso. Pode ser usada tocando da esquerda para a direita na frente de uma pessoa para obter feedback e localizar obstáculos e é mais adequada para uma área desenvolvida com calçadas lisas ou moderadamente rachadas.

Pró: O pequeno fundo arredondado da ponta do cogumelo tem uma área de superfície maior em comparação com a ponta fixa. Assim, fornece um melhor retorno sobre a superfície e também ajuda na questão auditiva.

Contra: Assim como os rollers, essa ponteira é volumosa e pode cansar o pulso se usar em longas caminhadas.

ponteira marshmallow

MODELOS DE BENGALAS

No mercado, existem 2 modelos e aqui relatamos os prós e contras: 

Dobráveis: a mais usada por causa da sua praticidade, geralmente elas dobram em 4 ou 5 partes (também conhecidos como gomos), com elásticos reforçados no interior. Esses modelos geralmente são resistentes a corrosão e não têm superfícies cortantes.

Pró: O usuário pode dobrar a bengala envolvendo com o elástico da própria alça e guardar tranquilamente em uma bolsa, dando-lhe vantagem em áreas lotadas, como salas de aula e eventos públicos por exemplo. 

Contra: Com o tempo pode ser preciso trocar o elástico pelo desgaste natural e também pode ser cansativo para o pulso se usado por longo período.  

bengala dobravel.jpg

Retas: Elas têm um comprimento sólido e rígido.

 

Pró: Por causa da leveza e o maior comprimento, elas permitem melhor mobilidade e segurança. Transmite feedback tátil melhor do que a dobrável. 

 

Contra: A desvantagem é que pode ser mais difícil acomodar a bengala em lugares públicos, como por exemplo, embaixo da cadeira em um restaurante ou ao lado dos pés no carro, etc.

bengala reta.jpg

AS BENGALAS E SUAS CORES

Embora a bengala branca seja comumente aceita como um "símbolo da cegueira", a maioria dos países adotaram um sistema de identificação das cores dessa ferramenta. Esta ação tem sido muito importante porque ajuda na conscientização da inclusão desses indivíduos em locais públicos.

Apesar de não ser muito divulgado, em alguns Estados aqui no Brasil, há um padrão das cores nas bengalas usadas por pessoas com deficiência visual. O objetivo disto seria facilitar a identificação desses indivíduos desprovidos de visão.

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Bengala branca

Uma bengala toda branca significa que o usuário é completamente cego e não tem visão utilizável. 

 

Bengala verde 

Usada em grande parte na América Latina, como Brasil e Argentina, serve para designar que o usuário tem baixa visão.

 

Bengala branca e vermelha

Identifica a pessoa com surdocegueira: o usuário pode ser totalmente surdocego ou pode ser indivíduo com baixa visão e surdo parcial ou total. É a bengala mais indicada para pessoa com síndrome de Usher.

 

EM OUTROS PAÍSES

Além da cor branca ser mundialmente conhecida, em alguns países, as cores das bengalas podem ter significados e também ocasiões diferentes. Veja algumas curiosidades:

  • Em algumas regiões nos Estados Unidos e parte da Europa, uma bengala branca com um segmento inferior vermelho, normalmente significa que a pessoa tem baixa visão;

  • No Canadá e em alguns países da Europa: a bengala branca com ponta vermelha se destina a aumentar a visibilidade do usuário quando caminha em uma superfície coberta de neve; 

  • Em alguns países da Europa a bengala azul ou amarela adicionado à bengala branca significa que o usuário é cego ou com baixa visão; 

  • Na Inglaterra, a bengala branca e com extremidade cor vermelha é usada por surdocegos. Neste país, as crianças pequenas, tanto cegas como as com baixa visão, são treinadas com bengalas coloridas para incentivá-las ao uso;

  • A bengala preta teve origem na Rússia, onde se pretendia criar a visibilidade desejada na neve;  

  • Não muito comum, há registro também na Europa, que a bengala preta é considerada uma escolha de moda destinada a situações formais como casamentos e formaturas. 

 

QUANDO USAR?

A pessoa com deficiência visual é quem decide quando é hora de incorporar uma bengala à sua vida. Usar esta ferramenta de apoio significará grandes mudanças e também lhe dará uma nova aventura. 

A pessoa com baixa visão ou surdocega, mesmo aquela que tem visão residual considerável, pode levar a vida normalmente e dependendo, pode preferir ou não usar a bengala. Isto depende UNICAMENTE de cada um.

Contudo, uma pessoa com Síndrome de Usher, por exemplo, mesmo com uma visão adequada para andar sem a bengala, deverá se preparar para a possibilidade de um dia usá-la. Por quê? Porque a retinose pigmentar — doença que afeta a retina — com o tempo poderá restringir o campo visual. Ocasionalmente, quando se está fora de casa e se depara com obstáculos e barreiras que estão fora do campo de visão central, como um poste de rua ou nas calçadas os sacos de lixo, que poderiam ser tocados e percebidos com segurança se utilizasse a bengala, evitando assim uma colisão.

Uma bengala, portanto, pode oferecer uma grande proteção física e tornar essa experiência mais segura e menos traumática. Usar esse auxílio corretamente leva tempo, dedicação e muita concentração, mas sem dúvida ela cria confiança na capacidade do usuário de cuidar de si mesmo.

 

DICAS PARA ENCOMENDAR BENGALA

Ao adquirir uma bengala, o comprimento é um requisito muito importante. O tamanho será determinado para cada usuário individualmente e, portanto, é levado em consideração a altura e a extensão do passo. Costuma-se tomar por referência de medida a linha vertical que vai da extremidade do osso chamado esterno (boca do estômago) até o solo. Mas se tiver dúvidas, recomenda-se que procure auxílio de um profissional de orientação e mobilidade (O&M) ou fisioterapeutas para garantir o comprimento correto.

Resumindo:

  • Saber escolher o material e o modelo mais adequado é fundamental para facilitar a adaptação;

  • Para encomendar bengala, você precisa calcular pelo seu tamanho: peça uma que seja um pouco mais alta que a sua cintura (na altura do esterno);

  • Outra dica: meça quando a ponta estiver apoiada no chão até dentro da axila.  

  • Se tiver dúvidas procure um especialista em O&M.

Tamanho da bengala

----------- Tamanho da bengala --------------

 COMO USAR BENGALA?

Usar a bengala pela primeira vez pode parecer uma tarefa simples e ao mesmo tempo difícil, isto porque dependendo da visão do usuário e também exige treinamento, motivação e confiança.

Existem muitas técnicas para que a pessoa com deficiência visual se familiarize, portanto, o ideal seria ter um treinamento com um especialista em Orientação e Mobilidade que fornecerá informações de proteção efetiva, como oferecer aos indivíduos uma melhor compreensão de várias superfícies, ruídos e ecos do solo. Estes profissionais ensinam estratégias de navegação, orientação e como atravessar ruas com segurança até que o usuário tenha alcançado vários níveis de aprendizado.

Todavia, para quem é iniciante e deseja treinar, praticar o uso, listamos aqui algumas dicas:

  • Para usar uma bengala demora um pouco para se acostumar. Certifique-se de que você está confiante em suas habilidades de mobilidade da bengala antes de sair sozinho;

  • Pode acontecer de precisar de um pouco mais de tempo para tomar decisões em movimentos, principalmente se não estiver familiarizado do ambiente ao seu redor;

  • Use a bengala com a mão que se sentir mais confortável; 

  • Através do toque da ponta da bengala contra o solo, é possível detectar mudanças nas superfícies, grades e tampas de bueiros, degraus, meios-fios, e obstáculos como postes, placas, vasos e árvores. Cada pessoa decide a velocidade de caminhada com base em seu nível de conforto ao fazer ajustes nos obstáculos encontrados com a bengala.

 

“BENGALAS INTELIGENTES”

Por vários anos, os cientistas tentaram reprojetar esse auxílio com novas tecnologias: sonar, ultrassom, GPS, inteligência artificial etc., para melhorar a função da bengala tradicional.

As bengalas “inteligentes” serviram (e ainda servem) como tentativas de construir uma ferramenta que pode detectar obstáculos e realizar outras funções eletronicamente. Tais tecnologias datam de cerca de cinco décadas e seu uso ainda não se difundiu para a vasta maioria. Segundo especialistas, devido ao fato de o usuário ficar sobrecarregado por informações e ao mesmo tempo ter que receber estímulos do ambiente, é necessário compreender os feedbacks do dispositivo. Além disso, tais equipamentos demandam treinamento extensivo e possuem custo elevado.

Revisão: Telma Nunes de Luna

Fontes

 

https://wfdb.eu/deafblind-awareness-red-and-white-canes/

https://www.cabvi.org/articles/what-are-the-different-types-of-white-canes/

https://www.stopblablacam.com/culture-and-society/0310-2122-does-a-red-and-white-cane-mean-the-holder-is-deafblind

https://blog.easterseals.com/how-does-that-white-cane-work-anyway/

https://veroniiiica.com/2018/01/12/decoding-the-colors-of-blindness-canes/

https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/181124/santos_adp_me_bauru.pdf?sequence=3&isAllowed=y

http://www.repositorio.ufal.br/bitstream/riufal/2467/1/O%20caminhar%20da%20pessoa%20cega%3A%20an%C3%A1lise%20da%20explora%C3%A7%C3%A3o%20de%20elementos%20do%20espa%C3%A7o%20urbano%20por%20meio%20da%20bengala%20longa.pdf

https://easiervision.wordpress.com/2017/04/20/what-type-of-white-cane-tip-is-right-for-you/

https://www.checkeredeye.com/blog/posts/white-cane-week/

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