DEPOIMENTOS

23/03/2017

Deiziane Maria da Silva

Ela descobriu aos poucos que tinha problemas de audição e depois problemas visuais. Mas isto não a desanimou!

Leia este depoimento desta jovem alegre e determinada!

Deiziane aprendeu a aceitar a Síndrome de Usher

O meu nome é Deiziane Maria da Silva, tenho 28 anos, trabalho em Departamento Pessoal (RH). Sou natural de Limoeiro, Pernambuco, Recife. Morei até os 12 anos em Tamanduá, Surubim.

Sou formada em Gestão de RH, e também estudei Turismo, não me formei nesta área, pois faltou entregar o estágio. 

Sempre tive dificuldades para enxergar à noite, mesmo quando morava no sertão. Na época não existia luz elétrica pois morava no campo, mas conseguia fazer as coisas como pastorar os animais, cortar capim, palmas e buscar água potável em outros locais. Aos 5 anos passei tomar conta da minha irmã recém-nascida. 

Além do problema para enxergar, também não ouvia bem, minha mãe na época me levou ao médico, em Recife. Mas não descobriram nada de anormal, falaram que tinha apenas uma inflamação e que devido a isso não ouvia bem.

Com o passar dos anos acabei me adaptando com o problema de visão, mesmo não sabendo que tinha, sempre achei que era desastrada. Somente confirmei meus problemas auditivos aqui em São Paulo, quando a patroa da minha mãe falou que deveria me passar no médico otorrino, pois achava que tinha alguma coisa errada com a minha audição.

Fizemos todos os exames e foi constatado que tinha mesmo perda de audição moderada. Posso dizer com toda franqueza que foi um alívio, assim minha mãe parou de achar que era brincadeira de minha parte!

Enquanto o meu problema auditivo tinha sido resolvido com aparelhos auditivos, o mesmo não se podia dizer dos meus olhos.

Continuava a não enxergar à noite, não via quando as pessoas me cumprimentavam com aperto de mão, não via as pessoas na rua e imagina que ganhei fama de "metida", pois como eu não enxergava direito as pessoas, elas achavam que eu não queria cumprimentá-las...

Todos anos eu passava no oftalmologista e sempre avisei que tinha problema para enxergar à noite, mas o médico sempre dizia que devido ao astigmatismo e miopia, era normal não enxergar...

Somente descobri o meu problema de retinose pigmentar na Clínica IMO, por um dos médicos que me atendeu e me encaminhou para dra. Roberta e dra. Juliana Sallum, na qual atualmente faço acompanhamento a cada seis meses.

Primeiro foi um choque enorme saber que eu tinha retinose, imagina, já não bastasse o problema auditivo, ainda tinha problema de visão... A tal da Síndrome de Usher! Mas depois veio o alivio, afinal de contas descobri que não era tão desastrada assim! A culpa não era minha que não tivesse enxergado as pessoas me cumprimentando, dos esbarrões nas pessoas, dos tombos das escadas (que não entendia como tinha caído), dos chutes das placas amarelas (aquelas que colocam no chão quando estão molhados), das pancadas nos poste de luz, dores de cabeça devido a luz, etc.

Aprendi aceitar que tenho limitações, mas que mesmo assim, consigo fazer tudo o que quero, sem jamais me sentir constrangida com a minha deficiência. Sou normal: uso os meus saltos altos, vou a baladas sozinha, viajo, vou ao barzinho, trabalho, estudo, etc.

O melhor de tudo: aprendi a me aceitar exatamente como sou, feliz, doida, extrovertida, alegre, uma pessoa que tem gosto pela vida e não se importa com a opinião dos outros. Dou risada dos meus tropeços, das minhas pancadas, mas acima de tudo, tenho paciência comigo mesmo.

Deiziane Maria da Silva

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